


|
|
VILA BOA DE GOIÁS
Poucas vezes se pôde ver uma ligação tão visceral entre um artista e seu habitat. É impossível falar de Cora Coralina sem mencionar o lugar de onde ela veio, a Cidade de Goiás, antiga Villa-Bôa de Goyaz.
Fundada em 1726 pelo explorador paulista Bartolomeu Bueno, o filho, Villa-Bôa de Goyaz ostentou a condição de capital do estado até o ano de 1933. Esse status se deu primordialmente pelo fato de a cidade ter nascido durante o ciclo do ouro, atingindo seu ápice durante o século XVIII. A arquitetura colonial prefigura a aura antiga que reveste a cidade. As pequenas ruas sinuosas, seus becos, muros de pedra. Atrativos aos locais e aos passantes e turistas, que logo se inserem em um ritmo de vida um tanto diferente dos centros urbanos.
O contato com a natureza é também uma característica marcante, pois a cidade de Goiás é situada em um vale e cercada por colinas. Além disso, a própria presença do rio Vermelho, que corta a cidade, parece ser, por si só, uma metáfora de uma vida que passa lentamente. No entanto, um fato marcante na vida de Goiás, a enchente que destruiu boa parte da cidade no ano de 2000, marca também as adversidades que surgem no horizonte de uma vida. Essa mesma vida seguiu, Goiás se reergueu, e sua história continua a se construir, fabricando mais memórias marcantes para as próximas gerações.
Respirar o ar da cidade de Goiás é alentador. Mantida em seus moldes e tamanhos antigos, já que a própria geografia do local impede crescimentos desordenados (tão marcantes em muitas “cidades coloniais” brasileiras), a tranqüilidade impera, tornando mais vivos os versos de Cora Coralina, trazendo o cheiro de um passado que ainda sobrevive, de um tempo alimentado pela história oral. Os sonhos dourados da corrida pelo ouro, a presença da religiosidade, o trabalho braçal dos escravos. Tudo isso parece plasmado em imagens nos versos que recontam a vida de Aninha. Nos poemas de Cora, é essa tradição oral dos “causos” que marca o estilo coloquial. É por tudo isso que a poetisa goiana fez questão de retratar, dentro de sua obra poética, toda a simbiose com o lócus onde esta foi produzida, tornando sensível a poesia que parece emanar naturalmente em cada esquina da cidade de Goiás.
|

Vila Boa de Goiás

Igreja Nossa Senhora Aparecida

Praça do Coreto
Fotos: divulgação
|
|